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sábado, 10 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Humana condição
Acordar
Saudar o dia
com um café pontual
Rever a rua
e planejar a caminhada
Beber o leite
e sofrer por antecipação
Comer o pão
e sonhar mais uma vez
Sonhar que o mundo é meu
Sonhar que me achei
numa manhã de setembro
Sonhar com olhos pacíficos
pousados no meu ombro
Sonhar que me vi dançando sobre o arco-íris
mascando chiclete e falando inglês:
I'm so happy! I'm so happy!
Sonhar contigo
Sonhar comigo
chegando ao entardecer
de mãos dadas com o último raio de sol.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Isso
Errar o troco
Trocar um pouco
Levar um soco
Passar por louco
Perder o mapa
Achar a mina
Mudar de capa
Fugir p'ra China
Plantar azul
Colher amarelo
Rumar p'ro sul
Virar branquelo
Viver é isso.
Sonhar moinhos
Fechar o quarto
Cortar caminhos
Sofrer de fato
Tomar juízo
Perder os dentes
Conter o riso
Vender os pentes
Viver é isso!
sábado, 26 de setembro de 2015
Jugular
Reconstituo o itinerário dos loucos furiosos
Que deliram e são normais
Queria ser como os que matam as moscas
O tempo e o bom da vida
Treino todos os dias
Os cães da minha revolta
Eu queria ser cruel
Perco o fôlego no oxigênio da minha
lucidez
Fico bêbado com o cheiro da minha
história
Desmaio nos braços das minhas
sangrias
Eu tenho raiva
Faço a minha mágoa em pedacinhos
Destilo o açucar das minhas desilusões
E me enveneno com as gentilezas da minha
espécie
Queimo este absurdo comportado
Lavo as minhas convicções na água da chuva
E me perfumo no môfo das minhas esperanças
Eu tenho ódio
Canto no banheiro
A mentira e a merda
que brota de almas imaculadas
E está tudo podre
Dôo o puro dos meus olhos
aos que inventaram o mundo
Ofereço o meu coração ileso
à Bolsa de Valores
e à ganância dos poderosos.
Que deliram e são normais
Queria ser como os que matam as moscas
O tempo e o bom da vida
Treino todos os dias
Os cães da minha revolta
Eu queria ser cruel
Perco o fôlego no oxigênio da minha
lucidez
Fico bêbado com o cheiro da minha
história
Desmaio nos braços das minhas
sangrias
Eu tenho raiva
Faço a minha mágoa em pedacinhos
Destilo o açucar das minhas desilusões
E me enveneno com as gentilezas da minha
espécie
Queimo este absurdo comportado
Lavo as minhas convicções na água da chuva
E me perfumo no môfo das minhas esperanças
Eu tenho ódio
Canto no banheiro
A mentira e a merda
que brota de almas imaculadas
E está tudo podre
Dôo o puro dos meus olhos
aos que inventaram o mundo
Ofereço o meu coração ileso
à Bolsa de Valores
e à ganância dos poderosos.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Money
Money one
Teus olhos são lindos zeros
Teus cílios, formosas vírgulas
O bolso é mais forte que o Eros
Meu amor, maior que os Calígulas
Amor, um C.D.B. na minha vida
És a commoditie desejada
A Letra de Câmbio vencida
Minha Caderneta mui amada
Teu sorriso é um encantamento
Teus seios, o meu desterro
Teu traseiro, meu descarrilamento
No teu corpo aceita-se aterro
Tu que me deste venturas mil
Tu que foste minha Aplicação primeira
És meu lábaro, minha bandeira
És meu Banco do Brasil.
Money Two
Pelas minhas contas
Devo-te um I LOVE YOU
Mas não penses que me montas
Na cama terá que ser mais TRUE
Tu que me chamas de embusteiro
E vives para me amolar
Mal sabes
Que um AI até vale um dinheiro
Mas um AH vale um dolar
As carícias estão em alta
Pois quero amanhã sem falta
Todas aquelas todas aquelas apalpadelas
E dá-me o troco em roçadelas
Pelo que diz o jornal
A inflação é fatal
Terei que investir meu material
Em mais virgem matagal.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Milésima vomição - 1ª Edição
Escrevo pra ninguém
Mas falo para o mundo inteiro
E digo-me tudo o que não gostaria de escutar
Eu não queria escrever
Eu nem sei se gosto de escrever
Mas só quem sentiu um dia
Vontade de vomitar
Conseguirá me entender
E agora
Neste princípio de náusea
Neste começo de madrugada
Neste meio da rua
Nesta solidão e meia
E neste fim de espera
Não tenham nôjo do meu vômito
Não fui eu que criei o nôjo
Nem fui eu que inventei o vômito
Sirvo-me apenas
Das contrações involuntárias do meu espírito
Para expelir os restos desta comida ortodoxa
Que me enfiaram goela abaixo.
E entre os pedaços
Que bóiam nesta golfada abjeta
Está a carne da minha revolta
Está o rabo do absurdo
Está a gosma da mentira
Está o braço da injustiça
E os dedos intactos da morte.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Márcia
Nasceu uma rosa no asfalto
Justamente ali
Onde os sapatos de tantos idiotas
Trituram os melhores projetos
dos que sempre sonharam sem pudor
numa orgia diurna de apostas e esperanças.
Nasceu uma rosa no asfalto
Exatamente ali
Onde as paredes de concreto
Delimitam os cérebros e a liberdade.
Precisamente ali
Onde crescem os filhos do plástico
e da Coca-Cola
Precisamente ali
Onde o ferro domina
e o Capital devora.
Nasceu uma rosa no asfalto
Ali
Onde as emoções nascem nos computadores
E o amor falece nas mesinhas de escritório.
Exatamente no asfalto
Essa terra estéril
Essa terra própria
pra correrias inúteis.
Nasceu uma rosa no asfalto
E todas a olharam
Mas só eu a vi.
E fui eu que a colhi
E a guardei com segredo e cuidado
Num vaso poderoso
chamado paixão.
Justamente ali
Onde os sapatos de tantos idiotas
Trituram os melhores projetos
dos que sempre sonharam sem pudor
numa orgia diurna de apostas e esperanças.
Nasceu uma rosa no asfalto
Exatamente ali
Onde as paredes de concreto
Delimitam os cérebros e a liberdade.
Precisamente ali
Onde crescem os filhos do plástico
e da Coca-Cola
Precisamente ali
Onde o ferro domina
e o Capital devora.
Nasceu uma rosa no asfalto
Ali
Onde as emoções nascem nos computadores
E o amor falece nas mesinhas de escritório.
Exatamente no asfalto
Essa terra estéril
Essa terra própria
pra correrias inúteis.
Nasceu uma rosa no asfalto
E todas a olharam
Mas só eu a vi.
E fui eu que a colhi
E a guardei com segredo e cuidado
Num vaso poderoso
chamado paixão.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Made in night
Noite
manhã dos meus fantasmas
Eu tenho medo.
Tenho medo dos mortos
da cidade morta
Tenho medo dos vivos
Tenho medo de mim.
Porque Lúcifer caiu da lua
e se esparramou no meu quarto.
Cada estrela
é um rosto dos que não me amam
Cada nuvem
a lixeira dos meus erros
E as horas
são meus olhos que me fitam
Ó lua, minha mãe
O céu está em chamas.
manhã dos meus fantasmas
Eu tenho medo.
Tenho medo dos mortos
da cidade morta
Tenho medo dos vivos
Tenho medo de mim.
Porque Lúcifer caiu da lua
e se esparramou no meu quarto.
Cada estrela
é um rosto dos que não me amam
Cada nuvem
a lixeira dos meus erros
E as horas
são meus olhos que me fitam
Ó lua, minha mãe
O céu está em chamas.
sábado, 15 de agosto de 2015
Não
Não quero
essa vidinha retilínea, rasa, plana
cheirando a Omo
Essas emoções civilizadas
Essas pessoas regulares
Esse condicionamento fisiológico.
Não quero
Esse perpétuo "vai melhorar"
Essa infundada e infindável espera.
Não quero
Essa estupidez consentida
Esse consenrimento tácito e oficial
Esse romantismo desesperado
feito de um amor que já ruiu.
Não quero
Este mundo em fatias
Disputado por loucos famintos
Essas bundas de domingo
nesses bancos domingueiros
com esses papos de segunda-feira.
Não quero
Esse suicídio prêt-à- porter
Tão lento e mascarado que ninguém vê
Esse delírio cinematográfico
Esse conformismo epidêmico.
Não quero
Esses descobridores do óbvio
Esses comentaristas sem comentários
Essa vegetação capilar
cobrindo testas estéreis.
Não quero
Essa comicidade gratuita
Esse risinho viciado
Esses palhaços sem circo.
Não quero
Essa bestialidade perfumada
Esse fedor desodorizado
Essas feras sem jaula
Não quero
Esse credo monetário
Essa eucaristia de número
Essa religião de papel.
É tudo isso que eu não quero.
essa vidinha retilínea, rasa, plana
cheirando a Omo
Essas emoções civilizadas
Essas pessoas regulares
Esse condicionamento fisiológico.
Não quero
Esse perpétuo "vai melhorar"
Essa infundada e infindável espera.
Não quero
Essa estupidez consentida
Esse consenrimento tácito e oficial
Esse romantismo desesperado
feito de um amor que já ruiu.
Não quero
Este mundo em fatias
Disputado por loucos famintos
Essas bundas de domingo
nesses bancos domingueiros
com esses papos de segunda-feira.
Não quero
Esse suicídio prêt-à- porter
Tão lento e mascarado que ninguém vê
Esse delírio cinematográfico
Esse conformismo epidêmico.
Não quero
Esses descobridores do óbvio
Esses comentaristas sem comentários
Essa vegetação capilar
cobrindo testas estéreis.
Não quero
Essa comicidade gratuita
Esse risinho viciado
Esses palhaços sem circo.
Não quero
Essa bestialidade perfumada
Esse fedor desodorizado
Essas feras sem jaula
Não quero
Esse credo monetário
Essa eucaristia de número
Essa religião de papel.
É tudo isso que eu não quero.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Obsessão
São as pombas
São as bombas
São as trombas da criação.
São os ratos
São os fatos
São os tratos da inanição.
São os rombos
São os tombos
E os lombos da perdição.
São os casos
Os descasos
E os vasos da imensidão.
São os passos
São os traços
E os fracassos da multidão.
Muito raras
São as caras
Não as taras da ocultação.
Muita estética
Muita técnica
Nossa herética visão.
E que pena
Não havia cirurgia
P'ra agonia do coração.
São Marias
Avarias
E utopias de pés no chão.
E os amores
São clamores
E favores da tua mão.
E a procura
Não tem cura
Por ser pura obsessão.
São as bombas
São as trombas da criação.
São os ratos
São os fatos
São os tratos da inanição.
São os rombos
São os tombos
E os lombos da perdição.
São os casos
Os descasos
E os vasos da imensidão.
São os passos
São os traços
E os fracassos da multidão.
Muito raras
São as caras
Não as taras da ocultação.
Muita estética
Muita técnica
Nossa herética visão.
E que pena
Não havia cirurgia
P'ra agonia do coração.
São Marias
Avarias
E utopias de pés no chão.
E os amores
São clamores
E favores da tua mão.
E a procura
Não tem cura
Por ser pura obsessão.
sábado, 8 de agosto de 2015
O percurso de uma noite sem lua
Acendi mais um cigarro
Atravessei a ponte
O Sena já dormia profundamente
Escondendo no seu lôdo
O desespero dos seus suicidas.
Parei por alguns instantes
em frente ao Hôtel de Ville
Observei bem todo aquele monumento
Admirei o efeito das luzes
E prossegui a caminhada.
Pisei o calcário da Rue de Rivoli
E como um intruso
percorri-a bem devagar.
Flanei por outras ruas
E reduzi o passo na Saint-Denis
Caminhava lentamente
Dava passos calculados
Como se a deflorasse cuidadosamente
com o meu andar
Para mim, aquela era a primeira vez.
Desfilava por ali
Escoltado de perto
Pelos luminosos indiscretos
dos porno-shops.
Mais adiante
Algumas e certas mulheres
Negociavam com a fisiologia
e expunham audaciosamente seus corpos.
O prazer custava trezentos francos
e a AIDS era de graça.
Et alors, tu viens?
Nas calçadas
Erguia-se um exótico santuário de putas
que abria as suas portas
que abria as suas pernas
para os inveterados adoradores do escuro.
On y va?
Entrei no Hard-Sex
e senti-me perdido
no meio daquela densa floresta sexual
Os pênis eram árvores robustas
e as vaginas suas raízes profundas.
Caí em algum buraco
daquela geografia do desejo
e fiquei sujo com a poeira da minha solidão.
Continuei na Saint-Denis
As esplanadas dos Cafés estavam repletas
Os casais trocavam beijos e carícias
entre goles de panaché.
Senti inveja e reconheci
que naquele comboio de boêmios
eu era um dos clandestinos.
Para disfarçar
Tomei um café
O café custava dez francos
e angústia era brinde da casa.
Fui parar numa praça qualquer
sentei-me no banco
para esperar a luz do sol
e assistir às exéquias da noite.
Quando o sol ameaçava abandonar
o útero do infinito
para viver entre nós
Resolvi voltar.
Acendi o último cigarro
Atravessei a ponte
O Sena já estava bem desperto
preparando o seu leito
para receber o primeiro Bâteau Mouche
Alisando o seu lôdo
para acolher o próximo desesperado.
Paris, 12 de Janeiro de 1988
Atravessei a ponte
O Sena já dormia profundamente
Escondendo no seu lôdo
O desespero dos seus suicidas.
Parei por alguns instantes
em frente ao Hôtel de Ville
Observei bem todo aquele monumento
Admirei o efeito das luzes
E prossegui a caminhada.
Pisei o calcário da Rue de Rivoli
E como um intruso
percorri-a bem devagar.
Flanei por outras ruas
E reduzi o passo na Saint-Denis
Caminhava lentamente
Dava passos calculados
Como se a deflorasse cuidadosamente
com o meu andar
Para mim, aquela era a primeira vez.
Desfilava por ali
Escoltado de perto
Pelos luminosos indiscretos
dos porno-shops.
Mais adiante
Algumas e certas mulheres
Negociavam com a fisiologia
e expunham audaciosamente seus corpos.
O prazer custava trezentos francos
e a AIDS era de graça.
Et alors, tu viens?
Nas calçadas
Erguia-se um exótico santuário de putas
que abria as suas portas
que abria as suas pernas
para os inveterados adoradores do escuro.
On y va?
Entrei no Hard-Sex
e senti-me perdido
no meio daquela densa floresta sexual
Os pênis eram árvores robustas
e as vaginas suas raízes profundas.
Caí em algum buraco
daquela geografia do desejo
e fiquei sujo com a poeira da minha solidão.
Continuei na Saint-Denis
As esplanadas dos Cafés estavam repletas
Os casais trocavam beijos e carícias
entre goles de panaché.
Senti inveja e reconheci
que naquele comboio de boêmios
eu era um dos clandestinos.
Para disfarçar
Tomei um café
O café custava dez francos
e angústia era brinde da casa.
Fui parar numa praça qualquer
sentei-me no banco
para esperar a luz do sol
e assistir às exéquias da noite.
Quando o sol ameaçava abandonar
o útero do infinito
para viver entre nós
Resolvi voltar.
Acendi o último cigarro
Atravessei a ponte
O Sena já estava bem desperto
preparando o seu leito
para receber o primeiro Bâteau Mouche
Alisando o seu lôdo
para acolher o próximo desesperado.
Paris, 12 de Janeiro de 1988
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O amor - esse desconhecido
Amor
Não quero pronunciar-te
com medo de envelhecer-te.
Amor
Palavra senil
que já conheceu tantos lábios.
Navegaste no cuspe dos reis
Deslizaste na língua das rainhas
Escalaste os dentes dos nobres
e desabrochaste forte na boca dos miserÁVEIS.
Quantas vezes te prenderam num papel
e te chamaram casamento
Quantas vezes te arrancaram do teu lar
o coração
te espremeram entre um par de pernas
e te chamaram sexo.
Amor
As alcovas estão manchadas por um nome
que pensaram que fosse o teu.
Já te puseram tranças
Pintaram-te os lábios
e te chamaram mulher.
Amor
Em quantas espécies de lágrimas
já te molhaste?
A propósito
Vi-te escondido nos olhos da minha mãe.
Quantas vezes
quis cumprimentar-te
e me calei
por não saber o teu nome.
Amor
tens tantos pseudônimos
que ainda não sei como te chamas
Alguém roubou a tua Certidão de Nascimento.
Não quero pronunciar-te
com medo de envelhecer-te.
Amor
Palavra senil
que já conheceu tantos lábios.
Navegaste no cuspe dos reis
Deslizaste na língua das rainhas
Escalaste os dentes dos nobres
e desabrochaste forte na boca dos miserÁVEIS.
Quantas vezes te prenderam num papel
e te chamaram casamento
Quantas vezes te arrancaram do teu lar
o coração
te espremeram entre um par de pernas
e te chamaram sexo.
Amor
As alcovas estão manchadas por um nome
que pensaram que fosse o teu.
Já te puseram tranças
Pintaram-te os lábios
e te chamaram mulher.
Amor
Em quantas espécies de lágrimas
já te molhaste?
A propósito
Vi-te escondido nos olhos da minha mãe.
Quantas vezes
quis cumprimentar-te
e me calei
por não saber o teu nome.
Amor
tens tantos pseudônimos
que ainda não sei como te chamas
Alguém roubou a tua Certidão de Nascimento.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
O cemitério dos sonhos
Queria ser um desses poetas fulgentes
Falar dos lagos reluzentes
Dos oblíquos raios da loura luz
Do mundo plano, sano e sem cruz.
Queria ter o fulgor
Para roçar todos os ângulos do amor
Para cheirar rosas purpurinas
Para gostar de coisas pequeninas.
Queria poder ainda esperar um primavera Venturosa
Colher uma estrela saborosa
Degustar o mel do silvestre arvoredo
Pensar que não é tarde - ainda é cedo.
Queria ver meus sonhos ressuscitados
Dói-me vê-los assassinados
Por que alguém os mataria?
Talvez para que o meu querer seja apenas utopia.
Falar dos lagos reluzentes
Dos oblíquos raios da loura luz
Do mundo plano, sano e sem cruz.
Queria ter o fulgor
Para roçar todos os ângulos do amor
Para cheirar rosas purpurinas
Para gostar de coisas pequeninas.
Queria poder ainda esperar um primavera Venturosa
Colher uma estrela saborosa
Degustar o mel do silvestre arvoredo
Pensar que não é tarde - ainda é cedo.
Queria ver meus sonhos ressuscitados
Dói-me vê-los assassinados
Por que alguém os mataria?
Talvez para que o meu querer seja apenas utopia.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
O banquete dos famintos
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Os comedores de batatasVan Gogh |
do último sermão do silêncio.
Procuro o canto livre
dos que não falam.
Procuro o sussuro da gota d'água
que morreu na fenda do rochedo.
Procuro o vento orfão
que ondula pelo púbis da montanha.
Procuro-me no enigma das grutas
encravadas na escarpa dos corpos.
Procuro-me na espiral abstrata
da fumaça que me mata.
Procuro-me na trilha quase apagada
dos que se encontraram
e nos rastro de lágrimas
dos que se perderam.
E quando penso que me achei
É tão pouco o meu achado.
Roma, 24 de Julho de 1997
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