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sábado, 16 de abril de 2016
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Reflexos
AGUARDO
à
BEIRA-MAR
a
BENÇÃO
da
tua
CANÇÃO
DISPO-ME
e
e
ESPERO-TE
ESPERO
o
doce
FLAGELO
das
tuas
FORMAS
porque
tens
a
FISIONOMIA
do
meu
FUTURO
GELO
as
HORAS
INSUBMISSAS
que
que
me
JULGAM
preciso
LEGITIMAR
o
LÁBIO
e
o
LÍRIO-LÁBIL
da
MEIA-LUZ
que
NASCEU
do teu
OBSÉQUIO
e
só
PERECERÁ
se
não
QUISERES
RESTITUIR-ME
o
SEGREDO
SIDERAL
do
teu
TOQUE
(Poema em ordem alfabética)
sexta-feira, 1 de abril de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
Definição
Sou um ser das estações
Vivo conforme os ventos da cidade
Tenho verões súbitos
e invernos ainda mais súbitos
Tenho primaveras de alguns minutos
e eternos outonos de nuvens e lutos
E o meu coração
é a amendoeira da rua
Estática nos dias de brisa leve
e despedaçada nos vendavais
de fim de tarde.
Vivo conforme os ventos da cidade
Tenho verões súbitos
e invernos ainda mais súbitos
Tenho primaveras de alguns minutos
e eternos outonos de nuvens e lutos
E o meu coração
é a amendoeira da rua
Estática nos dias de brisa leve
e despedaçada nos vendavais
de fim de tarde.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Espasmo
E aqui estou
Inquilino da morte
Nesta noite sem lua
Nesta ampliação do nada
Colecionando medos
E matando estes sonhos
vagabundos
Parasitas da minha angústia
Procuram-me a esta hora da noite
Estas perspectivas
despidas de esperança
No vácuo histérico do meu tórax
Adormece uma alma doente
e poluída
Eu sei que mereço muito mais
Mas a sorte que me cuspiu
no rosto
Só me deu letras e palavras.
Inquilino da morte
Nesta noite sem lua
Nesta ampliação do nada
Colecionando medos
E matando estes sonhos
vagabundos
Parasitas da minha angústia
Procuram-me a esta hora da noite
Estas perspectivas
despidas de esperança
No vácuo histérico do meu tórax
Adormece uma alma doente
e poluída
Eu sei que mereço muito mais
Mas a sorte que me cuspiu
no rosto
Só me deu letras e palavras.
Poema© :JoaquimESTEVES
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Demissão
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com as filas dos bancos
As buzinas dos carros
A estupidez dos passantes
A pressa dos perdidos
O alarido dos tontos
A violência tranquila
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a indiferença
dos vizinhos
A ganância dos banqueiros
A podridão das almas
A loucura dos normais
O trabalho compulsivo
A proibição do grito
O progresso inútil
A coerção dos espíritos
A multidão histérica
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a democracia
arbitrária
Os direitos feridos
O sadismo dos burocratas
Os crimes dos políticos
As cabeças doentes
A falta de sentido
O absurdo inchado
A injustiça feroz
As cartas marcadas
As alegrias compradas
O dinheiro psicopata
A fome dos inocentes
E a morte dos puros
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com esse zoológico
de ilusões
Esse faz-de-conta viciante
Fiquem com o circo do poder
E o horror de quem manda
Fiquem com tudo
Com os clitóris amputados
Com os homens-bomba
Com as bombas dos homens
Fiquem com a beleza que engana
E o prazer que escraviza
Com o hálito dos desesperados
E o sorriso dos falsos
Só vou sentir saudades
Do ritmo das manhãs
Da autoridade do sol
Do cheiro do café
E dos acenos da esperança.
Fiquem com tudo
Fiquem com as filas dos bancos
As buzinas dos carros
A estupidez dos passantes
A pressa dos perdidos
O alarido dos tontos
A violência tranquila
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a indiferença
dos vizinhos
A ganância dos banqueiros
A podridão das almas
A loucura dos normais
O trabalho compulsivo
A proibição do grito
O progresso inútil
A coerção dos espíritos
A multidão histérica
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a democracia
arbitrária
Os direitos feridos
O sadismo dos burocratas
Os crimes dos políticos
As cabeças doentes
A falta de sentido
O absurdo inchado
A injustiça feroz
As cartas marcadas
As alegrias compradas
O dinheiro psicopata
A fome dos inocentes
E a morte dos puros
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com esse zoológico
de ilusões
Esse faz-de-conta viciante
Fiquem com o circo do poder
E o horror de quem manda
Fiquem com tudo
Com os clitóris amputados
Com os homens-bomba
Com as bombas dos homens
Fiquem com a beleza que engana
E o prazer que escraviza
Com o hálito dos desesperados
E o sorriso dos falsos
Só vou sentir saudades
Do ritmo das manhãs
Da autoridade do sol
Do cheiro do café
E dos acenos da esperança.
Poema© :JoaquimESTEVES
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Chão
Passeio os meus sonhos
Numa rua deserta
Sofro com o sopro do vento
Eu sou em carne viva
Eu sou uma chaga aberta
E usufruo a plenitude
de uma ferida inteira
Tenho receio das fêmeas
E do barulho
Desconfio das festas
E da primavera
Agito-me e repouso
no solo
do meu próprio peito.
Numa rua deserta
Sofro com o sopro do vento
Eu sou em carne viva
Eu sou uma chaga aberta
E usufruo a plenitude
de uma ferida inteira
Tenho receio das fêmeas
E do barulho
Desconfio das festas
E da primavera
Agito-me e repouso
no solo
do meu próprio peito.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Manhãs cariocas
O sol pariu o primeiro raio
Estou cego
por haver tanta luz
Hoje é tarde
Prossigo impulsionado
pelo calor dos bueiros
e pelo sopro das galerias
Sou uma composição química
e moro
nos subúrbios remotos do paraíso
Hoje é tarde
É dia de extirpar o coração
e viver apesar dele
Estou aquém e além dos outros
e não me seduzem mais
as conclusões da plebe
Sedimento os meus sentimentos
e quero tudo
E quem sabe
amanhã de manhãzinha
aguarda-me o estranho silêncio
da minha execução.
Estou cego
por haver tanta luz
Hoje é tarde
Prossigo impulsionado
pelo calor dos bueiros
e pelo sopro das galerias
Sou uma composição química
e moro
nos subúrbios remotos do paraíso
Hoje é tarde
É dia de extirpar o coração
e viver apesar dele
Estou aquém e além dos outros
e não me seduzem mais
as conclusões da plebe
Sedimento os meus sentimentos
e quero tudo
E quem sabe
amanhã de manhãzinha
aguarda-me o estranho silêncio
da minha execução.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Reincidências
Faço a mesma barba
O mesmo xixi
O mesmo sorriso
O mesmo ih! ih!
Bebo o mesmo café
A mesma lágrima
O mesmo " Pois é"!
Esbofeteia-me o mesmo vento
O mesmo sol
O mesmo tempo
E leio a mesma notícia
No mesmo jornal
Com o mesmo crime
Com a mesma polícia
Paro no mesmo sinal
Na mesma rua
No mesmo mal
E vejo o mesmo Zé
Na mesma esquina
Com o mesmo porre
E encontro a mesma mulher
Sem os mesmos dentes
Sem a mesma mínima
pouca vergonha
Espirro o mesmo atchim
Sofro do mesmo rim
E mesmo assim
É mesmo assim.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Consummatum est
Todos me julgam
E eu não tenho culpa
Estou muito longe do Rio
que me ofereceria
um mergulho Redentor
E muito perto do atalho
da minha decisão
Cedo e me rendo ao silêncio
e à vergonha dos desertores
Detesto as Vitórias
e a fabricação dos Heróis
Fecho os olhos
Tampo os ouvidos
Reduzo o choque
Amorteço a minha Condição
E espero.
Lisboa, 5 de Novembro de 2005
sábado, 9 de janeiro de 2016
Apenas
Há cobras nos meus sonhos
e fendas nos meus desejos
Há água na minha boca
e líquidos nos meus anseios
Há vaginas desertas
como oásis secretos
do outro lado dos meus pesadelos
Não quero mais a felicidade
Quero um corpo livre e incompleto
para o meu
Não quero mais a felicidade
Quero a língua viperina
e a boca vermelha
de baton e de ilusão
de todas as mulheres
Não quero mais a felicidade
Quero porque quero
Aberturas e sutilezas
Gritos e procuras
Gemidos e sussuros
e um orgasmo no final.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Anônima
Naquela única vez
Foi uma fábula - Era uma vez
Foi o acordar da química loca
Foi starry night
No céu da minha boca
Naquela única vez
Fiz música nos teus confins
Fiz um blue céu no teu blue jeans
Fiz de teus seios a batuta
Fui maestro nessa luta
Naquela única vez
Eram precisos olhos castanhos
Fomos iguais fomos estranhos
Foi mais que say grace
Foi bom
Foi face to face
Naquela única vez
Escapou-me o teu nome
Foi a a pressa foi a fome
Não importa
Valeu a pena
Minha doce minha anônima Madalena.
Foi uma fábula - Era uma vez
Foi o acordar da química loca
Foi starry night
No céu da minha boca
Naquela única vez
Fiz música nos teus confins
Fiz um blue céu no teu blue jeans
Fiz de teus seios a batuta
Fui maestro nessa luta
Naquela única vez
Eram precisos olhos castanhos
Fomos iguais fomos estranhos
Foi mais que say grace
Foi bom
Foi face to face
Naquela única vez
Escapou-me o teu nome
Foi a a pressa foi a fome
Não importa
Valeu a pena
Minha doce minha anônima Madalena.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Avesso
Chovia lá fora
quando saí do botequim
Distanciei-me um pouco
e ouvi passos atrás de mim
Rodei o esqueleto
e me deparei com um homem
que era mais ou menos assim
Era um desses homens formosos
de cabelos azuis
e olho louro atrevido
Não digo olhos
porque o infeliz me parecia surdo
de um olho e não do ouvido
Aliás, diga-se de passagem
era lindo
Parecia um batráquio
com sinais de miopía
nas trompas de eustáquio
Era um desses homens elegantes
Prêt-à-porter
Trajava calças de colarinho cor de urinol
Calçava sapatos de vidro fumê
Era um desses homens másculos viris
Um ferrabrás
que usava batom nas narinas da frente
e soutien nos tubérculos de trás
Era um desses homens magros bem talhados
Uma esbeltez
Com uma papada inchada
que dava pra três
Com uma pança obstétrica
de trigêmia gravidez
Era um desses homens modernos
da geração fitness
Não usava bigode
tinha um beiço top-less
Era uma finesse
da cabeça aos péss
Aqui termino as memórias do meu último porre
Sem saber até hoje o que foi o que eu vi
Não sei se era só o efeito do porre
Ou se era mesmo real
esse homem que eu vi.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Amor visceral
Amo tua ptialina, tua saliva cristalina
Amo teu palato, tuas papilas, a tua vitamina
Amo teus ductos, tua seiva, tuas hemáceas
Amo tuas artérias, tua proteína,
tuas veias violáceas
Amo tua penugem, teu púbis sacro
Amo-te sem medidas, amo-te um amor macro
Amo teu óvulo mensal
Amo teu sangue menstrual
Amo todos os átomos
que fazem de ti
uma bomba anatômica.
sábado, 5 de dezembro de 2015
A aurora dos teus olhos
Os meus olhos pretos
Não são pretos
São duas gotas de escuridão
Nos meus olhos é de noite
E foi por não poder fechá-los
Que um artista das sombras
Gravou neles
toda a história do escurecer
_______________________________________
Os meus olhos pretos
Não são pretos
São os teus na minha cara
________________________________________
Nos meus olhos é sol nascente
E foi de tanto abri-los
Que uma menina da luz do sol
Derramou neles
a lentidão exata do amanhecer.
Não são pretos
São duas gotas de escuridão
Nos meus olhos é de noite
E foi por não poder fechá-los
Que um artista das sombras
Gravou neles
toda a história do escurecer
_______________________________________
Os meus olhos pretos
Não são pretos
São os teus na minha cara
________________________________________
Nos meus olhos é sol nascente
E foi de tanto abri-los
Que uma menina da luz do sol
Derramou neles
a lentidão exata do amanhecer.
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