.
quinta-feira, 28 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Longe
Escolhi as ruas mais escuras da cidade
Olhei as folhas
E o verde traído pela escuridão
Desviei-me dos buracos de terra batida
Buscava os espectadores ideais
para a minha angústia
Queria o que não pode ver
Não queria que me vissem
Quando cheguei ao meu destino
Doei as minhas lágrimas
Ao arvoredo silencioso e quieto
Entreguei-as à irracionalidade
da vegetação pacífica
Ofereci-as às sombras
dos que não têm tempo
para me escutar
Chorei na montanha
Longe
Muito longe dos homens.
sábado, 18 de junho de 2016
Domingos de sol
Seis horas da tarde
nesta remota filial do inferno
Chove
Chove uma chuva zangada
sobre os caldeirões em brasa viva
Fui à praia
O sol bateu-me o dia inteiro
Sinto-me queimar
Ardo e me desintegro
Minha revolta é uma fogueira
que se alastra e me mata
Cada labareda é um minuto de revolta
que guardei silente e quieto
num lugar fresco e arborizado
Percebo atento
cada movimento das chamas
Observo-me crepitar e enegrecer
Neste incêndio sem bombeiros
Foi a pomba da minha alma
incendiária e impulsiva
que riscou o fósforo e me destruiu
Morro hoje infeliz
e experimento apesar de tudo
o gosto pacífico da terra molhada
pela chuva farta dos meus olhos.
Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 1999
nesta remota filial do inferno
Chove
Chove uma chuva zangada
sobre os caldeirões em brasa viva
Fui à praia
O sol bateu-me o dia inteiro
Sinto-me queimar
Ardo e me desintegro
Minha revolta é uma fogueira
que se alastra e me mata
Cada labareda é um minuto de revolta
que guardei silente e quieto
num lugar fresco e arborizado
Percebo atento
cada movimento das chamas
Observo-me crepitar e enegrecer
Neste incêndio sem bombeiros
Foi a pomba da minha alma
incendiária e impulsiva
que riscou o fósforo e me destruiu
Morro hoje infeliz
e experimento apesar de tudo
o gosto pacífico da terra molhada
pela chuva farta dos meus olhos.
Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 1999
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Doce lar
Hoje
Eu fiz uma fantasia
tão sinistra
quanto uma calamidade pública
tão secreta
quanto as dores quietas
de uma cabeça sózinha
nas guerras da noite.
Quis perder tudo
para voltar à origens
Perder o dinheiro
Perder a memória
Desesperar um desespero total
tão grande e tão absoluto
onde não sobrevivesse
o último facho de luz
de todas as minhas estúpidas esperanças
E aí
Rasgava as roupas
e livrava-me da minha importância
e do delírio
que me ensinaram a delirar
Procurava o mar
como quem procura Deus
fanática e alucinadamente
E sem saber nadar
encontraria finalmente o nada
e um útero fresco e estéril
para esquecer e repousar
sábado, 21 de maio de 2016
O preço da chuva
Será sempre bom
Reencontrar os meus verdadeiros caminhos
E os meus mais secretos atalhos
Poder pisá-los com os meus pés descalços
Poder enxergá-los
Com os teus olhos híbridos e volúveis
Quase verdes
Quase cinza
E quase meus.
E será sempre bom
Pairar sobre a alegria
Como uma ave de rapina
Sem garras para tanto
Sem satisfação para tão pouco.
Reencontrar os meus verdadeiros caminhos
E os meus mais secretos atalhos
Poder pisá-los com os meus pés descalços
Poder enxergá-los
Com os teus olhos híbridos e volúveis
Quase verdes
Quase cinza
E quase meus.
E será sempre bom
Pairar sobre a alegria
Como uma ave de rapina
Sem garras para tanto
Sem satisfação para tão pouco.
terça-feira, 26 de abril de 2016
sábado, 16 de abril de 2016
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Reflexos
AGUARDO
à
BEIRA-MAR
a
BENÇÃO
da
tua
CANÇÃO
DISPO-ME
e
e
ESPERO-TE
ESPERO
o
doce
FLAGELO
das
tuas
FORMAS
porque
tens
a
FISIONOMIA
do
meu
FUTURO
GELO
as
HORAS
INSUBMISSAS
que
que
me
JULGAM
preciso
LEGITIMAR
o
LÁBIO
e
o
LÍRIO-LÁBIL
da
MEIA-LUZ
que
NASCEU
do teu
OBSÉQUIO
e
só
PERECERÁ
se
não
QUISERES
RESTITUIR-ME
o
SEGREDO
SIDERAL
do
teu
TOQUE
(Poema em ordem alfabética)
sexta-feira, 1 de abril de 2016
quarta-feira, 23 de março de 2016
Definição
Sou um ser das estações
Vivo conforme os ventos da cidade
Tenho verões súbitos
e invernos ainda mais súbitos
Tenho primaveras de alguns minutos
e eternos outonos de nuvens e lutos
E o meu coração
é a amendoeira da rua
Estática nos dias de brisa leve
e despedaçada nos vendavais
de fim de tarde.
Vivo conforme os ventos da cidade
Tenho verões súbitos
e invernos ainda mais súbitos
Tenho primaveras de alguns minutos
e eternos outonos de nuvens e lutos
E o meu coração
é a amendoeira da rua
Estática nos dias de brisa leve
e despedaçada nos vendavais
de fim de tarde.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Espasmo
E aqui estou
Inquilino da morte
Nesta noite sem lua
Nesta ampliação do nada
Colecionando medos
E matando estes sonhos
vagabundos
Parasitas da minha angústia
Procuram-me a esta hora da noite
Estas perspectivas
despidas de esperança
No vácuo histérico do meu tórax
Adormece uma alma doente
e poluída
Eu sei que mereço muito mais
Mas a sorte que me cuspiu
no rosto
Só me deu letras e palavras.
Inquilino da morte
Nesta noite sem lua
Nesta ampliação do nada
Colecionando medos
E matando estes sonhos
vagabundos
Parasitas da minha angústia
Procuram-me a esta hora da noite
Estas perspectivas
despidas de esperança
No vácuo histérico do meu tórax
Adormece uma alma doente
e poluída
Eu sei que mereço muito mais
Mas a sorte que me cuspiu
no rosto
Só me deu letras e palavras.
Poema© :JoaquimESTEVES
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Demissão
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com as filas dos bancos
As buzinas dos carros
A estupidez dos passantes
A pressa dos perdidos
O alarido dos tontos
A violência tranquila
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a indiferença
dos vizinhos
A ganância dos banqueiros
A podridão das almas
A loucura dos normais
O trabalho compulsivo
A proibição do grito
O progresso inútil
A coerção dos espíritos
A multidão histérica
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a democracia
arbitrária
Os direitos feridos
O sadismo dos burocratas
Os crimes dos políticos
As cabeças doentes
A falta de sentido
O absurdo inchado
A injustiça feroz
As cartas marcadas
As alegrias compradas
O dinheiro psicopata
A fome dos inocentes
E a morte dos puros
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com esse zoológico
de ilusões
Esse faz-de-conta viciante
Fiquem com o circo do poder
E o horror de quem manda
Fiquem com tudo
Com os clitóris amputados
Com os homens-bomba
Com as bombas dos homens
Fiquem com a beleza que engana
E o prazer que escraviza
Com o hálito dos desesperados
E o sorriso dos falsos
Só vou sentir saudades
Do ritmo das manhãs
Da autoridade do sol
Do cheiro do café
E dos acenos da esperança.
Fiquem com tudo
Fiquem com as filas dos bancos
As buzinas dos carros
A estupidez dos passantes
A pressa dos perdidos
O alarido dos tontos
A violência tranquila
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a indiferença
dos vizinhos
A ganância dos banqueiros
A podridão das almas
A loucura dos normais
O trabalho compulsivo
A proibição do grito
O progresso inútil
A coerção dos espíritos
A multidão histérica
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com a democracia
arbitrária
Os direitos feridos
O sadismo dos burocratas
Os crimes dos políticos
As cabeças doentes
A falta de sentido
O absurdo inchado
A injustiça feroz
As cartas marcadas
As alegrias compradas
O dinheiro psicopata
A fome dos inocentes
E a morte dos puros
Deixo-vos tudo
Fiquem com tudo
Fiquem com esse zoológico
de ilusões
Esse faz-de-conta viciante
Fiquem com o circo do poder
E o horror de quem manda
Fiquem com tudo
Com os clitóris amputados
Com os homens-bomba
Com as bombas dos homens
Fiquem com a beleza que engana
E o prazer que escraviza
Com o hálito dos desesperados
E o sorriso dos falsos
Só vou sentir saudades
Do ritmo das manhãs
Da autoridade do sol
Do cheiro do café
E dos acenos da esperança.
Poema© :JoaquimESTEVES
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Chão
Passeio os meus sonhos
Numa rua deserta
Sofro com o sopro do vento
Eu sou em carne viva
Eu sou uma chaga aberta
E usufruo a plenitude
de uma ferida inteira
Tenho receio das fêmeas
E do barulho
Desconfio das festas
E da primavera
Agito-me e repouso
no solo
do meu próprio peito.
Numa rua deserta
Sofro com o sopro do vento
Eu sou em carne viva
Eu sou uma chaga aberta
E usufruo a plenitude
de uma ferida inteira
Tenho receio das fêmeas
E do barulho
Desconfio das festas
E da primavera
Agito-me e repouso
no solo
do meu próprio peito.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Manhãs cariocas
O sol pariu o primeiro raio
Estou cego
por haver tanta luz
Hoje é tarde
Prossigo impulsionado
pelo calor dos bueiros
e pelo sopro das galerias
Sou uma composição química
e moro
nos subúrbios remotos do paraíso
Hoje é tarde
É dia de extirpar o coração
e viver apesar dele
Estou aquém e além dos outros
e não me seduzem mais
as conclusões da plebe
Sedimento os meus sentimentos
e quero tudo
E quem sabe
amanhã de manhãzinha
aguarda-me o estranho silêncio
da minha execução.
Estou cego
por haver tanta luz
Hoje é tarde
Prossigo impulsionado
pelo calor dos bueiros
e pelo sopro das galerias
Sou uma composição química
e moro
nos subúrbios remotos do paraíso
Hoje é tarde
É dia de extirpar o coração
e viver apesar dele
Estou aquém e além dos outros
e não me seduzem mais
as conclusões da plebe
Sedimento os meus sentimentos
e quero tudo
E quem sabe
amanhã de manhãzinha
aguarda-me o estranho silêncio
da minha execução.
Poema© :JoaquimESTEVES
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Reincidências
Faço a mesma barba
O mesmo xixi
O mesmo sorriso
O mesmo ih! ih!
Bebo o mesmo café
A mesma lágrima
O mesmo " Pois é"!
Esbofeteia-me o mesmo vento
O mesmo sol
O mesmo tempo
E leio a mesma notícia
No mesmo jornal
Com o mesmo crime
Com a mesma polícia
Paro no mesmo sinal
Na mesma rua
No mesmo mal
E vejo o mesmo Zé
Na mesma esquina
Com o mesmo porre
E encontro a mesma mulher
Sem os mesmos dentes
Sem a mesma mínima
pouca vergonha
Espirro o mesmo atchim
Sofro do mesmo rim
E mesmo assim
É mesmo assim.
Assinar:
Postagens (Atom)













